sábado, 16 de agosto de 2008

Eclipse parcial da Lua de hoje

Publicamos o seguinte post, retirado do Blog AstroLeiria:


Hoje, logo a seguir ao pôr-do-sol, haverá um interessantíssimo Eclipse parcial da Lua (ocultando-se 81,3% da Lua atrás da sombra da Terra) e desta vez a horas decentes (a fase umbral começa logo a seguir ao nascer da Lua...).

Dados importantes para observar o eclipse:

1. Escolher um local sem obstruções para Este (o local onde nasce o Sol e onde irá nascer a Lua).

2. Se possível usar binóculos ou telescópio (há outras coisas para ver, nomeadamente Júpiter, Marte e Saturno, embora este fique abaixo do horizonte muito cedo...).

3. Ter atenção os horários (aproximados e em hora oficial de Portugal continental):
  • a Lua nasce (já na fase penumbral do eclipse) às 20.21;
  • o Sol põe-se às 20.29;
  • a fase umbral do Eclipse começa às 20.35;
  • o ponto máximo do eclipse é às 22.10;
  • a fase umbral do Eclipse termina às 23.44;
  • a fase penumbral do Eclipse termina às 00.57.
4. Estarem atentos ao tempo - podem dar uma vista de olhos à página do Instituto de Meteorologia português.


Mais dados e curiosidades, consultar o site da NASA (de onde veio a seguinte figura) de Fred Espenak sobre ECLIPSES...

(clicar para aumentar)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Nunca mais...

Faz hoje 63 anos que uma pequena bomba nuclear - Little Boy - destruiu a cidade de Hiroshima...


Ney Matogrosso - Rosa de Hiroshima


A rosa de Hiroxima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexactas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioactiva
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Poema de Vinícius de Moraes

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Viagem ao Centro da Terra - Filme 3D

Do Blog De Rerum Natura publicamos o seguinte post, do Doutor Carlos Fiolhais (o cientista português que tem o artigo científico mais citado em todo o mundo, segundo o Público):



Já está nos cinemas de todo o planeta (em breve também nos cinemas portugueses) uma nova versão do clássico de Júlio Verne de 1864 "Viagem ao Centro da Terra". Desta vez a novidade é o facto de ser um filme de acção com actores reais que pode ser visto em 3D (em Portugal há vários cinemas equipados para projecção 3D digital). O 3D já não é novo no grande ecrã, mas a tecnologia tanto da projecção de imagens como dos óculos melhorou a tal ponto que Hollywood promete para breve mais filmes do mesmo género.

O guião do filme de Eric Brevig, apesar de tomar as suas liberdades, é largamente inspirado no livro de Verne. No original era um cientista alemão que, com o seu sobrinho, entrava no interior da Terra na Islândia. Agora trata-se de um geólogo americano (Brendan Fraser), a história passa-se nos tempos de hoje - que faz o mesmo com o seu sobrinho (Josh Hutcherson). Em vez de um guia islandês, agora há uma guia islandesa (Anita Briem, uma jovem actriz da mesma nacionalidade) que, no fim, e como era fácil prever, se apaixona pelo cientista.

Boa parte da trama de Verne está lá, incluindo o grande oceano subterrâneo, o "mundo perdido" à la Conan Doyle com dinossauros e tudo, a jangada apanhada por uma tempestade e até a saída pela boca de um vulcão italiano. Vê-se já deste resumo que há muito mais ficção do que ciência (há grandes erros, como o trecho completamente delirante das pedras magnéticas que flutuam!), mas, de vez em quando, lá vêm uns apontamentos interessantes de geologia.

O filme é de acção, muita acção, o que lhe traz e vai trazer muito público juvenil. Parece que existe um parque de diversões no interior da Terra. A cena louca dos comboios mineiros faz lembrar o Indiana Jones. Os efeitos 3D aumentam a emoção por exemplo quando trazem para perto do espectador as mandíbulas do Tiranossaurus Rex ou a boca de uma feroz planta carnívora. Para os adultos, é um filme para levar os sobrinhos ou os filhos (a sala de cinema não é o interior da Terra mas também faz escuro), para além claro de mostrar a "novidade" do 3D. Mas é apenas um filme de férias e não se lhe peça mais do que isso...

O que fazer com os óleos alimentares?

Post adaptado a partir de outro post do Blog Dino_Geológico, da professora Ana Rola:


Pela primeira vez, vai passar a existir em Portugal, uma resposta de âmbito nacional para o destino dos óleos alimentares usados. A partir de dia 15 de Julho, a AMI lança ao público este projecto que conta já com a participação de milhares de restaurantes, hotéis, cantinas, escolas, Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais.

A AMI dá com este projecto continuidade à sua aposta no sector do ambiente, como forma de actuar preventivamente sobre a degradação ambiental e sobre as alterações climáticas, responsáveis pelo aumento das catástrofes humanitárias e pela morte de 13 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

Os cidadãos que queiram entregar os óleos alimentares usados, poderão fazê-lo a partir de agora. Para tal, poderão fazer a entrega numa garrafa fechada, dirigindo-se a um dos restaurantes aderentes, que se encontram identificados e cuja listagem poderá ser consultada no site www.ami.org.pt.

Os estabelecimentos que pretendam aderir, recebendo recipientes próprios para a deposição dos óleos alimentares usados, deverão telefonar (gratuitamente) para o número 800 299 300.

Este novo projecto ambiental da AMI permitirá evitar a contaminação das águas residuais, que acontece quando o resíduo é despejado na rede pública de esgotos, e a deposição do óleo em aterro. Os óleos alimentares usados poderão assim ser transformados em biodiesel, fornecendo uma alternativa ecológica aos combustíveis fósseis, e contribuindo desta forma para reduzir as emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE). Ao contrário do que por vezes acontece com o biodiesel de produção agrícola, esta forma de produção não implica a desflorestação nem a afectação de terrenos, nem concorre com o mercado da alimentação.

São produzidos todos os anos em Portugal, 120 milhões de litros de óleos alimentares usados, quantidade suficiente para fabricar 170 milhões de litros de biodiesel. Este valor corresponde ao gasóleo produzido com 60 milhões de litros de petróleo, ou seja, o equivalente a cerca de 0,5% do total das importações anuais portuguesas deste combustível fóssil. A AMI dá assim a sua contribuição para favorecer a independência energética do país, conseguindo atingir este objectivo de forma sustentável e com uma visão de longo prazo, não comprometendo outros recursos igualmente fundamentais para o desenvolvimento da sociedade e para o bem-estar da população.

Segundo a União Europeia, o futuro do sector energético deverá passar pela redução de 20% das emissões de GEE até 2020, assim como por uma meta de 20% para a utilização de energias renováveis. Refere ainda uma aposta clara na utilização dos biocombustíveis, que deverão representar no mínimo 10% dos combustíveis utilizados.

A UE determina ainda que os Estados-Membros deverão assegurar a incorporação de 5,75% de biocombustíveis em toda a gasolina e gasóleo utilizados nos transportes até final de 2010 e o Governo anunciou, em Janeiro de 2007, uma meta de 10% de incorporação de biocombustíveis na gasolina e gasóleo, para 2010.

As receitas angariadas pela AMI com a valorização dos óleos alimentares usados serão aplicadas no financiamento das Equipas de Rua que fazem acompanhamento social e psicológico aos sem-abrigo, visando a melhoria da sua qualidade de vida.


Fundação AMI
Rua José do Patrocínio, 49
1949-008 Lisboa

Telefone: 218 362 100 | Fax: 218 362 199

E-Mail: reciclagem@ami.org.pt

Internet: www.ami.org.pt

Listagem das instituições de entrega de óleo


ADENDA
: Locais, segundo a lista oficial da AMI, de recolha de óleo em Leiria:

Café da Filiparmonica
Quinta da Cerca Corte 5 2410-487 LEIRIA

Jardim-Escola João de Deus
Av. Marquês de Pombal 2410 - 152 LEIRIA

Tromba Rija
Rua Prof. Portelas, nº22 Marrazes 2415-534 LEIRIA

Hotel Cristal Vieira Praia
Av. Marginal, Praia da Vieira 2420-696 Vieira de Leiria

Atlético Clube da Sismaria
Estrada da Estação nº56 2400-282 LEIRIA

Associação Obras Sociais do Pessoal da Câmara Municipal de Leiria
Largo da Republica 2414-006 LEIRIA

Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo
Rua Afonso Lopes Vieira 2400-082 LEIRIA

Restaurante O Pitorrito
Rua Central 57A 2420-415 Machados LEIRIA

Tasca do Rogério
Rua dos Abades nº245 Abadia-Cortes 2410-841 LEIRIA

Croissanteria D. Afonso III
Rua João Cabral Lote 11 Cave Esq. 2410-273 LEIRIA

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O eclipse em directo!

Via Blog AstroLeiria:

Começou às 10.41 horas (hora oficial portuguesa de Verão) e pode ser visto excelentemente (fraco remedeio para os pobres que não podem ir vê-lo para a Sibéria ou China...) neste site:


quinta-feira, 31 de julho de 2008

Eclipse solar de amanhã na Internet

Do Blog AstroLeiria publicamos o seguinte post:

Amanhã há um eclipse total do Sol, não visível em Portugal (mas na próxima Lua Cheia temos um eclipse parcial da Lua...). A seguinte figura, retirada do site da NASA sobre eclipses, mostra os locais onde este é visível.


Para quem, como eu, não foi para a China vê-lo, aqui fica um site que irá transmitir o eclipse on-line:

domingo, 20 de julho de 2008

Apollo XI - 39 anos depois


Faz hoje 39 anos que finalmente um homem andou noutro planeta. Quando o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, em 1961, apontou como meta a Lua (levar um homem à Lua e trazê-lo de volta são e salvo, antes do decénio acabar) ninguém pensou que seria possível. Mas, como disse o Poeta, pelo sonho é que vamos... Bravos homens da Apollo XI, nunca vos esqueceremos! “Houston, Tranquility Base here. The Eagle has landed” e "That's one small step for [a] man, one giant leap for mankind" são frases inesquecíveis...!

Lembremos a data com Poesia:


Poema do homem novo

Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.

Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até aos pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.

A cobrir tudo, enfim, como um balão ao vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.

Numa cama de rede, pendurada
das paredes do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.

Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falava,
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.

Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,
os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.

Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.
Mais um passo.
Mais outro.

Num sobre-humano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira, com o coração pequeno e ressequido
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.

in Novos Poemas Póstumos - António Gedeão (1990)

Pelo sonho é que vamos

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

─ Partimos. Vamos. Somos.

in Pelo sonho é que vamos - Sebastião da Gama

Lua

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Actividade da Geologia no Verão 2008 em Leiria

Aqui ficam os dados da minha actividade deste ano da Geologia no Verão 2008, a única a realizar no concelho de Leiria, feita com o Doutor Jorge Dinis (Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra):

Usar e não abusar: Geologia e recursos geológicos da região das Colmeias


DATA: 19.07.2008 (sábado)

HORÁRIO: 10.00 às 17.00 horas

ORGANIZAÇÃO: Doutor Jorge Dinis - Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra e Fernando Martins - Blog Geopedrados

PARTIDA/CHEGADA: Piscinas Municipais de Leiria

ITINERÁRIO: Leiria - Barracão - Colmeias - Espite - Caranguejeira - Lapedo - Leiria

VAGAS: 40 lugares (transporte em Autocarro, sem custos para os inscritos)

INSCRIÇÕES: AQUI


NOTA: Colocaremos em breve mais informações e aceitaremos algumas inscrições directas...

Um passeio pelo Sol

Publicamos o seguinte post, de uma amiga espeleóloga - Sofia Reboleira, retirado do Blog GeoLeiria:

O Sol, através de um telescópio com filtro de observação solar (Foto: S. Reboleira)


No dia 27 e 28 de Junho realizaram-se as "Jornadas de Puertas Abiertas en el Observatorio del Teide".

Durante dois dias foi possível entrar, observar e compreender os telescópios do Instituto de Astrofísica das Canárias.

Perspectiva da zona interior do Observatório del Teide (Foto: S.Reboleira)


Existem actualmente, dois observatórios do espaço nas ilhas Canárias, o Observatório del Roque de los Muchachos, na Ilha de La Palma, vocacionado para a observação do céu profundo e o Observatório do Teide, na Ilha de Tenerife, centrado principalmente na observação da estrela do sistema solar.

Observatório do Roque de los Muchachos, acima das nuvens, La Palma (Foto: S.Reboleira)

O estudo da Astrofísica nas Canárias começou no início da década de 60, com a entrada em funcionamento do primeiro telescópio destinado ao estudo da luz dispersada pela matéria interplanetária.

O vulcão Teide, como pano de fundo ao observatório (Foto: S.Reboleira)

O Observatório do Teide, situado na zona de Izaña, a 2.390 metros de altitude, ocupa uma área de 50 hectares, numa crista que corresponde a um rifte formado pela elevação dos vulcões que hoje compõem as Cañadas do Teide.

Perspectiva do rifte onde está implantado o observatório del Teide (Foto: S. Reboleira)

A sua situação geográfica, associada à excelente transparência e qualidade astronómica do céu das Canárias fazem, do Observatório do Teide, um dos melhores locais europeus reservados ao estudo do Sol, contando com centenas de investigadores, que anualmente ocupam o observatório.

Interior do telescópio Carlos Sanchez (Foto: S. Reboleira)


A vasta área ocupada pelo Observatório encontra-se implantada nas cercanias do Parque Nacional das Cañadas del Teide. Este espaço natural, património da humanidade, foi classificado pelas características únicas na Terra, do estratovulcão que lhe dá o nome - o Teide. De acordo com os mais recentes critérios de classificação de montanhas (contrariando a subjectividade dada pela oscilação do nível médio das águas do mar e baseando a mediçao na superfície da placa oceânica), o Teide encontra-se entre as maiores montanhas do nosso planeta.

Parque Nacional de las Cañadas del Teide (Foto: S. Reboleira)


Estudos recentes de análise de materiais geológicos e de sondagens geofísicas, permitem afastar definitivamente a teoria da influência da fracturaçao da cadeia montanhosa do Atlas, na formação do arquipélago Canário, explicando que na sua origem se incluem apenas processos de hot spot - vulcanismo intraplaca. A variação entre o fenómeno de hot spot do arquipélago Canário e do Hawaiano encontra-se na espessura da placa oceânica na zona da pluma mantélica, que por ser de maior espessura no caso Canário, impede a subsidência das ilhas mais antigas.

Informação ao visitante (Foto: S. Reboleira)

O Observatório del Teide é composto por uma série de telescópios e instalações de acomodação, cozinha, recepção, sala de estar, garagens, estação transformadora e parque de painéis solares, com o objectivo de prestar serviço a todo o pessoal técnico e científico vinculado ao Observatório.

Sala de operações do telescópio VTT (Foto: S. Reboleira)

O Observatório conta ainda com um Centro de Visitantes, com capacidade para 40 pessoas, que ocupa uma cúpula vazia, onde se explica como funcionam os telescópios e a importância da Astronomia na história da humanidade e nos dias de hoje.

Percurso no interior do Observatório del Teide (Foto: S.Reboleira)

Miúdos e graúdos passaram um dia inesquecível, desde a história da mitologia que povoa os nossos céus, aos mais interessantes conceitos científicos associados ao maravilhoso mundo da Astrofísica.

É uma visita imperdível! Especialmente, porque o Sol é a fonte energética da Vida na Terra... Pelo menos, da Vida tal como a concebemos à luz dos conceitos do nosso tempo.

Ciência Viva no Verão 2008



Ciência Viva no Verão
Edição de 2008 - 15 de Julho a 15 de Setembro

Na praia, no campo, na cidade, de dia ou de noite, faça férias com a Ciência.

Observações astronómicas, passeios científicos, visitas a faróis e a grandes obras de engenharia são algumas das actividades propostas por universidades, centros de investigação, museus, empresas, escolas e associações científicas em todo o país.


terça-feira, 10 de junho de 2008

Torga e Camões

Camões


Nem tenho versos, cedro desmedido

Da pequena floresta portuguesa!

Nem tenho versos, de tão comovido

Que fico a olhar de longe tal grandeza.



Quem te pode cantar, depois do Canto

Que deste à pátria, que to não merece?

O sol da inspiração que acendo e que levanto

Chega aos teus pés e como que arrefece.



Chamar-te génio é justo, mas é pouco.

Chamar-te herói, é dar-te um só poder.

Poeta dum império que era louco,

Foste louco a cantar e louco a combater.



Sirva, pois, de poema este respeito

Que te devo e professo,

Única nau de sonho insatisfeito

Que não teve regresso!


Miguel Torga in Poemas Ibéricos, 1965

Amor é um fogo que arde sem se ver




Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter, com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?


Música alusiva à data...

Valsinha das Medalhas - Rui Veloso
(letra Rui Veloso e Carlos Tê, música Rui Veloso)


Valsinha das Medalhas - Rui Veloso



Já chegou o dez de Junho, o dia da minha raça
Tocam cornetas na rua, brilham medalhas na praça
Rolam já as merendas, na toalha da parada
Para depois das comendas, e Ordens de Torre e Espada
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha


REFRÃO
Encosta o teu peito ao meu, sente a comoção e chora
Ergue o olhar para o céu, que a gente não se vai embora
Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos


Já chegou o dez de Junho, há cerimónia na praça
Há colchas nos varandins, é a Guarda d'Honra que passa
Desfilam entre grinaldas, velhos heróis d'alfinete
Trazem debaixo das fraldas, mais Índias de gabinete
Na tribuna do galarim, entre veludo e cetim
Toca a banda da marinha, e o povo canta a valsinha

Zeca Afonso canta Fernando Pessoa


No comboio descendente - Zeca Afonso:



No comboio descendente
Vinha tudo à gargalhada.
Uns por verem rir os outros
E outros sem ser por nada
No comboio descendente
De Queluz à Cruz Quebrada...

No comboio descendente
Vinham todos à janela
Uns calados para os outros
E outros a dar-lhes trela
No comboio descendente
De Cruz Quebrada a Palmela...

No comboio descendente
Mas que grande reinação!
Uns dormindo, outros com sono,
E outros nem sim nem não
No comboio descendente
De Palmela a Portimão

Fernando Pessoa

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A Galiza canta Camões em homenagem a Zeca Afonso

Uxia - Verdes São Os Campos




Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

José Mário Branco canta soneto de Camões




Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades - José Mário Branco


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já foi coberto de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Dia de Camões e de Portugal

Camões e a tença


Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.

Este país te mata lentamente.


Sophia de Mello Breyner Andresen, Grades (1970)

sábado, 7 de junho de 2008

Olimpíadas da Saúde

Publicamos o seguinte post, feito pela professora Luzia Meireles e colocado no Blog Ciências Físicas e Naturais-EB 2.3 Correia Mateus:




Realizou-se, ontem, no auditório do Hospital Sto. André, a semi-final das Olimpíadas da Saúde com os alunos do 9ºano da EB 2º 3º ciclos Dr. Correia Mateus. As Olimpíadas da Saúde inserem-se no Projecto "Pensar Saudável-Viver Saudável" dinamizado pela Escola Superior de Saúde de Leiria e desenvolvido na nossa escola em Área de Projecto.

Ao longo do 3º período decorreram acções formativas dinamizadas por alunos do 4º ano da Licenciatura em Enfermagem da Escola Superior de Saúde de Leiria no âmbito das seguintes áreas temáticas: Alimentação Saudável, Promoção de Estilos de Vida Saudáveis e Saúde Sexual e Reprodutiva.

As acções formativas culminam com as Olimpíadas da Saúde em que os alunos são submetidos a questões sobre os temas tratados nas acções.

A semi-final da nossa escola foi muito renhida e no final a equipa mais rápida a carregar no botão foi a vencedora!

As equipas ficaram assim ordenadas:

1º - Proteínas.com - 9ºB
2º - Hormonas e neurónios - 9ºC
3º - Leucócitos armados - 9ºE
4º - Canabinóides - 9ºA

Parabéns a todos os alunos que participaram com empenho e raça mas também de acordo com as regras!!! Todos os professores ficaram orgulhosos dos seus alunos!!!

domingo, 1 de junho de 2008

Dia Mundial da Criança

Dormindo

Miniatura


Pois eu gosto de crianças!
Já fui criança também…
Não me lembro de o ter sido;
Mas só ver reproduzido
O que fui, sabe-me bem.

É como se de repente
A minha imagem mudasse
No cristal duma nascente,
E tudo o que sou voltasse
À pureza da semente.


Miguel Torga in Diário VIII (Coimbra, 11 de Abril de 1957)

sábado, 10 de maio de 2008

Revista Super Interessante de Maio


Diz, no seu site de divulgação e assinaturas, o seguinte:

Aborda todos os meses, de uma forma séria mas acessível, os grandes temas da actualidade científica, em artigos profusamente ilustrados e com infografias que tornam fácil o que antes parecia difícil. Da história à tecnologia espacial, da matemática à filosofia, do ambiente à saúde, dos computadores ao comportamento humano, todos os assuntos cabem na Super Interessante.

É, actualmente, a única revista em Portugal cujo tema central é a divulgação, e isso diz tudo.

Este mês ainda está melhor: texto sobre Pterossauros com ilustrações excelentes, outro texto sobre a água e ainda um outro sobre Megalitismo, uma das minhas áreas preferidas da Arqueologia e Pré-História...

A não perder...

Mapas no Live Search Maps da Microsoft

A Microsoft criou um site com mapas que é fantástico...!

http://maps.live.com/

A título de exemplo, eis a nossa Escola em Bird's Eye:


Para aceder a mapa com esta imagem, clicar AQUI.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Visita ao McDonald's de Leiria

A nossa Turma irá visitar o Restaurante McDonald's de Leiria no próximo dia 08 de Abril, 3ª-feira, das 10.15 às 11.45 horas. Vamos ver aspectos ligados com higiene e segurança no trabalho, confecção e conservação dos alimentos e o modo funcionamento em geral do Restaurante.


Está previsto que nos ofereçam um lanchinho...

Torneios de Xadrez na próxima semana

A semana que se avizinha será pródiga em Torneios de Xadrez: no dia 09.04.2008 (4ª-feira) haverá um Torneio de Escolas de Leiria, na variante de Rápidas, na Escola Nery Capucho - Marinha Grande e, na mesma cidade, decorrerá de 11 a 13 de Abril (6ª a domingo) os Regionais da DREC.

Para mais informações consultar os seguintes post do Blog XadrezLeiria:

Ficamos à espera de inscrições...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A origem dos anos bissextos

Post de Palmira F. da Silva publicado no Blog De Rerum Natura em 29.02.2008:


O dia de hoje, 29 de Fevereiro, ocorre apenas nos anos bissextos, denominação que alguns pensam reflectir o facto de os anos assim chamados terem 366 dias (com dois seis), o que não é verdade, como iremos ver. Este dia «extra» é uma correcção introduzida para acertar o que resulta de as nossas unidades de tempo dia e ano serem referidas aos movimentos da Terra: um dia (um dia solar tem 24 horas, há uma excelente explicação no Bad Astronomy sobre a diferença entre dia solar e dia sideral) é o período de rotação da Terra e um ano, o tempo que a Terra demora na translacção em torno do Sol, não é um número inteiro de dias.

Como Phil Plait explica, há algumas nuances na definição de ano e no cálculo do tempo que a Terra demora a orbitar o Sol. Na Antiguidade, os astrónomos calcularam que a Terra dava a volta ao Sol em 365.25 dias (365 dias mais 6 horas) mas a adição de um dia extra de 4 em 4 anos tentada em Alexandria por Ptolomeu III em 238 a.C. não teve sucesso. Anos de 365 dias transformavam o calendário numa dor de cabeça, agravada no tempo de Júlio César pelo corrupto pontifex maximus, o sacerdote encarregue do calendário para quem a duração do ano reflectia as compensações monetárias dos que queriam manter um determinado cargo mais tempo ou pretendiam abreviar o mandato de um inimigo.

César, com o auxílio do astrónomo grego Sosígenes, reformou o calendário no ano que corresponde ao actual 45 a.C., na altura ano 709 AUC - ab urbe conditia, desde a fundação da Cidade (de Roma). Este calendário, que instituia entre outras coisas um ano bissexto de quatro em quatro anos, passou a ser conhecido por calendário juliano, adoptado pela generalidade da Cristandade em 325 d.C. e ainda usado pela Igreja Ortodoxa.

O problema não terminou aqui já que um ano não é exactamente 365 dias e 6 horas mas sim 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos. Embora a diferença possa parecer insignificante, no ano 1582, data em que o Papa Gregório XIII fez outra reforma no calendário, a diferença entre o ano astronómico e o ano sazonal já era suficiente para o pontífice ordenar o «buraco» de dez dias necessário para a corrigir. Assim, ao dia 4 de Outubro desse ano sucedeu o dia 15 de Outubro. Para evitar correcções análogas no futuro, o novo calendário gregoriano, que usamos até hoje, prevê serem bissextos os anos que sejam divisíveis por 400 e os divisíveis por 4 mas não por 100.

O mês que toma o nome do festival de purificação e limpeza denominado Februa (de Februarius que significa purificar) - ou do deus etrusco Februs mais tarde identificado com o deus romano Plutão - foi tornado ainda mais curto pelas manias de grandeza do imperador Augusto que não admitiu que o mês oitavo que tomou o seu nome fosse «inferior» ao mês sétimo que honra o seu tio-avô Júlio César.

Ao dia 29 de Fevereiro estão associadas inúmeras superstições e tradições, algumas delas bastante curiosas, o que não é de espantar dada a forma como o dia extra de Fevereiro foi introduzido. Ao adicionar o dia suplementar, Júlio César escolheu o mês de Fevereiro, o então último mês do ano considerado mês nefasto entre os romanos. Para dar a volta aos seus concidadãos mais supersticiosos, para além de decretar que o primeiro mês do ano passava a ser Janeiro e não Março, em vez de aumentar de 1 dia de quatro em quatro anos a duração do mês, César congeminou um sistema complicado: duplicou o vigésimo quarto dia de Fevereiro, que recebia na época o nome de «dia sexto antes das calendas de Março». Deste modo, o dia suplementar era o bis sextum ante diem calendas martii, que deu origem à actual designação de dia bissexto, designação que se estendeu ao ano.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Poesia

Hoje, dia de longa noite para os que irão ver o Eclipse, vamos pôr aqui um poema inédito de homenagem aos que pouco vão dormir...


Noite

Silenciosa, a noite, impôs os seus ditames:
pintou o horizonte a pastel, primeiro a fogo
depois a azul, púrpura e negro.

Mandou calar as cotovias e melros
e semeou de estrelas o Céu.
Assustou as crianças e arrefeceu as casas com a sua sombra.

E depois, dona de meio Mundo, adormeceu em paz.


Post de Pedro Luna in Blog Geopedrados

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Actividade de Observação - Eclipse de 21.02.2008


Na noite de 20 para 21 de Fevereiro de 2008 ocorrerá um Eclipse Total da Lua que iremos observar na Senhora do Monte, logo depois das Antenas de Rádio, entre as 23.00 e as 04.00 horas e se as condições climatéricas o permitirem e enquanto houver interessados.

NOTA 1: Link para o Cartaz (é favor divulgar...) - AQUI.

NOTA 2: Para conseguirem localizar fica aqui ainda um mapa interactivo GoogleMaps (o ponto B é o local da observação - usar o + e - para aumentar a área ou diminuir e o rato para ir para outros locais):


Ver mapa maior

NOTA 3: Mais informação sobre eclipses AQUI.

Post originalmente publicado no Blog AstroLeiria

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dia dos Namorados

Também este crepúsculo...


Também este crepúsculo nós perdemos.

Ninguém nos viu hoje à tarde de mãos dadas

enquanto a noite azul caía sobre o mundo.



Olhei da minha janela

a festa do poente nas encostas ao longe.



Às vezes como uma moeda

acendia-se um pedaço de sol nas minhas mãos.



Eu recordava-te com a alma apertada

por essa tristeza que tu me conheces.



Onde estavas então?

Entre que gente?

Dizendo que palavras?

Porque vem até mim todo o amor de repente

quando me sinto triste, e te sinto tão longe?



Caiu o livro em que sempre pegamos ao crepúsculo,

e como um cão ferido rodou a minha capa aos pés.



Sempre, sempre te afastas pela tarde

para onde o crepúsculo corre apagando estátuas.



Pablo Neruda, in Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

El-Rei D. Carlos e Príncipe D. Luís - 100 anos...


Faz hoje 100 anos que a República nasceu. Outros dizem que foi a 5 de Outubro de 1910, mas o seu acto fundador foi o assassinato do Rei e do Príncipe Herdeiro, em 1 de Fevereiro de 1908.

Cem anos após a ignomínia, a dor ainda perdura no coração de muitos portugueses! Recordemos a data apenas com um poema:

HOMENS

“Somos apenas pó e trevas”.

Horácio

À superfície deste corpo vegetamos
e escrevemos da nossa mágoa
litros de lágrimas de sangue
com penas leves de sombra

temas sólidos que nos aprofundam
os olhos incolores

o sabor impuro
que nos desce à boca
é o rasto
do pensamento

mas somos reis a rasgar as vestes
se a Mensagem que acolhemos nos sitia
entre muralhas de silêncio

e os cardos do nosso orgulho
sufocam a boa semente
que nos lança Deus ao coração.

Poema de Brissos Lino - Blog A Ovelha Perdida

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Programa da RTP 1 "AB CIÊNCIA"

A RTP pretende aproximar a Ciência do cidadão comum.

O “AB CIÊNCIA” pretende provar que a Ciência também é divertida e é destinado a toda a família.

Experiências realizadas em estúdio, rubricas diversas, entre as quais “A cozinha é um laboratório”, são alguns dos ingredientes do programa “AB CIÊNCIA”.

A apresentação está a cargo de Carlota Crespo, um novo rosto da RTP e do cientista Leonel Silva.


Horário do próximo programa

RTP 1 - Domingo 27 de Janeiro - 12.00 horas
RTP Internacional - Terça 22 de Janeiro - 21.30 horas
RTP N - Quarta 23 de Janeiro - 11.30 horas
RTP 2 - Sábado 26 de Janeiro - 19.00 horas

Cria a tua Constelação...!

Concurso “Descobre o teu céu”
Museus da Ciência desafiam alunos a criar constelações de estrelas
17.01.2008 - 17h18


Os alunos do ensino básico serão desafiados, ao longo deste ano, a criar constelações de estrelas, no âmbito do concurso “Descobre o teu céu”, promovido pelos museus da Ciência da Universidade de Coimbra e de Lisboa.

A iniciativa, que conta ainda com a Critical Software na promoção, insere-se no âmbito do programa de Celebração do Ano Internacional da Astronomia, assinalado em 2009.

Para “cultivar o gosto dos mais novos pela Astronomia”, a organização do concurso propõe “aos alunos de todas as escolas realizarem, a partir de quatro mapas, um desenho de novas constelações e uma narrativa”.

“A partir das estrelas de certas partes do céu que foram seleccionadas, inspirados na observação do céu real e/ou do céu de um planetário, ou simplesmente a partir de uma representação das estrelas numa imagem, pretende-se que os alunos construam novas constelações e desenvolvam histórias a elas associadas”, revela a organização.

As inscrições estão abertas até 30 de Novembro de 2008, e os trabalhos aceites até 21 de Dezembro de 2008.

O júri irá escolher os melhores trabalhos de cada escalão, que serão reunidos num livro a publicar em 2009. A obra será distribuída por todos os Agrupamentos de Escolas do país.

Os resultados do concurso, no qual podem participar equipas de cinco a 20 alunos e acompanhados por um professor, serão anunciados a 21 de Março de 2009.

O PÚBLICO.PT associa-se a esta iniciativa através da divulgação na sua página principal de um link para os regulamentos e página web do concurso, a ser disponibilizado nos momentos-chave do concurso: lançamento do concurso, apresentação dos resultados, divulgação da lista dos premiados.

in Público - ler notícia (via Blog AstroLeiria)



NOTA: O regulamento do concurso e os mapas do céu a considerar pelos concorrentes encontram-se disponíveis em:
http://www.museudaciencia.pt/

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

XIII Olimpíadas do Ambiente


Apresentação

As XIII Olimpíadas do Ambiente (OA) são um concurso de problemas e questões dirigido aos alunos do 7º ao 12º ano de escolaridade do ensino diurno e nocturno de escolas públicas, privadas ou do ensino cooperativo no território nacional, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores. Esta iniciativa é coordenada por uma equipa multidisciplinar composta por elementos da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza e do Zoomarine - Mundo Aquático SA. Este ano conta com a colaboração da Câmara Municipal de Seia na organização da Final Nacional.

Objectivos fundamentais
  • incentivar o interesse pela temática ambiental;
  • aprofundar o conhecimento sobre a situação ambiental portuguesa e mundial;
  • estimular a capacidade oral e escrita;
  • promover o contacto com situações experimentais concretas;
  • desenvolver o espírito e curiosidade científica;
  • estimular a dinâmica de grupo e espírito de equipa, assim como a cooperação.

Áreas temáticas
  • conservação da Natureza;
  • recursos naturais;
  • poluição;
  • estilos de vida;
  • ameaças globais;
  • política ambiental;
  • realidade portuguesa.

Categorias
  • do 7º ao 9º ano de escolaridade - Categoria A
  • do 10º ao 12º ano de escolaridade - Categoria B

Todos os alunos inscritos nos anos escolares abrangidos são convidados a participar nas OA, através da sua escola, e nenhum pode ser discriminado com base na idade, sexo, crenças religiosas, deficiências intelectuais ou motoras, competências específicas ou área de ensino. Qualquer estabelecimento de ensino oficial ou particular do 7º ao 12º ano de escolaridade que não tenha sido directamente convidado a participar pode igualmente concorrer, desde que proceda à respectiva inscrição.

Fases
1ª eliminatória - Teste escrito com questões de escolha múltipla e uma pergunta de desenvolvimento. São apurados para a segunda eliminatória os melhores alunos a nível nacional e também os melhores por escola.

2ª eliminatória - Teste escrito com questões de escolha múltipla e duas perguntas de desenvolvimento. Esta eliminatória decorrerá nas escolas com alunos seleccionados. Para a Final Nacional, são apurados os melhores a nível nacional e os melhores por distrito/ilha.
Final nacional - Ao longo de um fim-de-semana, os finalistas realizarão um teste escrito com questões de escolha múltipla, uma prova oral em grupo, participarão num conjunto de actividades práticas (feira de experiências laboratoriais e descoberta de uma zona protegida) e um colóquio/debate na sessão solene de entrega de prémios.

Inscrição
A Escola deve preencher a Ficha de Inscrição na página de Internet das OA.

www.esb.ucp.pt/olimpiadas

sábado, 5 de janeiro de 2008

O Menino do Lapedo e seu Centro de Interpretação

Descoberta
Menino do Lapedo fez mudar a História
2008-01-05

Tinha os olhos grandes e expressivos, o rosto arredondado e o cabelo liso e comprido. Era assim o Menino do Lapedo, de quatro anos e meio de idade, cujo esqueleto foi descoberto no Vale do Lapedo, em Leiria, e desencadeou uma acesa discussão científica sobre a evolução da espécie humana.

A reconstituição facial foi feita por um especialista em efeitos especiais de Hollywood e estará em exposição, a partir de hoje, no Centro de Interpretação Abrigo do Lagar Velho, em Santa Eufémia, concelho de Leiria.

Com a abertura deste núcleo museológico, a Câmara de Leiria pretende lançar os alicerces para um projecto mais ambicioso: “Transformar o Vale do Lapedo num parque natural e criar um centro de investigação arqueológica para aprofundar os estudos sobre o Paleolítico Superior em Portugal”, refere o vereador Vítor Lourenço.

A importante descoberta aconteceu em Novembro de 1998 e, desde então, tem despertado o interesse dos mais conceituados arqueólogos e antropólogos mundiais. A sepultura paleolítica é a única encontrada na Península Ibérica e o esqueleto, com 24 500 anos, era também o único – à data das escavações – achado na Europa.

Se estas características eram já relevantes para os cientistas, o facto de se estar perante uma criança mestiça catapultou o assunto para o centro de um intenso debate sobre a evolução do Homem.

Até à descoberta do Menino do Lapedo, já havia antropólogos a defender a existência de hibridismo entre o homem de Neandertal (Homo Neanderthalensis) e o homem Moderno (Homo Sapiens).

Os dois grupos coexistiram milhares de anos no espaço e no tempo, mas os investigadores nunca chegaram a consenso sobre a ligação entre ambos. Uma corrente defende que os neandertais desapareceram sem se cruzar com os humanos modernos e sem deixar descendência. A outra é da opinião que as duas espécies se cruzaram e procriaram. A descoberta do esqueleto do Menino do Lapedo veio dar razão a esta última tese, a da miscigenação.

Para o norte-americano Erik Trinkaus, considerado um dos melhores especialistas da área da biologia e evolução Neandertal, os vestígios não deixam dúvidas. O menino tinha as pernas curtas, como os neandertais e as ancas estreitas como os homens modernos. E possuía queixo, uma característica do homem moderno inexistente nos neandertais. Os ossos acima dos olhos e das maçãs do rosto também são idênticos aos do homem de Neandertal. Enquanto o tórax, os braços e grande parte do crânio revelam semelhanças com os homens modernos.

Apesar destes dados, revelados após anos de estudo e exames aos restos mortais do Menino do Lapedo, há antropólogos que continuam a não aceitar a teoria da miscigenação. Mas Erik Trinkaus é pragmático na abordagem ao tema. “A questão já não é saber se houve mistura, mas em que grau ela ocorreu”, afirma o antropólogo da Universidade de Washington (EUA).

João Zilhão, que era director do Instituto Português de Arqueologia em 1998 , tem a mesma opinião. “Já foi provado que espécies próximas, como chimpanzés e bonobos ou mesmo espécies de babuínos que pertencem a géneros diferentes podem acasalar e produzir descendentes férteis”, frisa o arqueólogo, agora docente na Universidade de Bristol, no Reino Unido.

Segundo os dois especialistas, o esqueleto encontrado no Vale do Lapedo explica com clareza uma parte da História da humanidade. Ao deixarem a África para colonizar a Europa, os humanos modernos não exterminaram os antigos habitantes do continente, como anteriormente se pensava, mas misturaram-se com eles.

E é esta página do passado que se pretende dar a conhecer melhor, no Centro de Interpretação do Lagar Velho. Além do rosto, criado com base em técnicas forenses por Brian Pierson – um especialista em efeitos especiais que trabalhou em filmes como o ‘Titanic’ ou ‘Alien’ – será possível ver uma réplica do esqueleto, vários artefactos e a reconstituição dos abrigos pré-históricos.

RECONSTITUIÇÃO FEITA COM BARRO

A reconstituição do rosto do Menino do Lapedo começou com a reconstrução do crânio através da técnica de prototipagem rápida. Seguiu-se o preenchimento da parte muscular com barro e a moldagem do rosto, também em barro. A partir deste molde foi criado o modelo final, em silicone, para ficar mais parecido com a pele humana.

NÚCLEO MOSTRA VIDA HÁ MAIS DE 20 MIL ANOS

O núcleo museológico do Abrigo do Lagar Velho, que hoje abre ao público em Santa Eufémia, Leiria, visa dar a conhecer os resultados dos trabalhos arqueológicos no Vale do Lapedo e a sua contextualização na evolução anatómica do Homem.

O Centro de Interpretação é composto por dois módulos pré-fabricados, está instalado num terreno cedido por um particular (Adriano Faria Gaio) e dá acesso a um pequeno percurso pedestre que permite a observação do vale.

Num dos módulos, foi criada uma linha cronológica dos vestígios e afixado um conjunto de imagens sobre os aspectos naturais do Lapedo. Através destes elementos, é possível compreender algumas das características da vida do abrigo e recuar entre 20 a 30 mil anos para ficar a conhecer as diversas fases da pré-história já detectadas.

No segundo espaço estará uma réplica da sepultura do Menino do Lapedo, com um esqueleto feito através de impressão tridimensional pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria (ESTG). É aqui que será exposto também o rosto do menino, criado por Brian Pierson, o artista de efeitos especiais que trabalhou mais de dez anos em Hollywood e se especializou em reconstituições com técnicas forenses.

Os painéis informativos centrar-se-ão na explicação do ritual fúnebre e nas características do esqueleto que impulsionaram a tese da miscigenação.

ESTUDANTE FEZ A DESCOBERTA

A descoberta do Menino do Lapedo mudou por completo a vida de Pedro Ferreira. O jovem efectuava uma prospecção para o trabalho final da licenciatura em História do Património, em Outubro de 1998, e encontrou um abrigo com pinturas da Pré-história recente. Entusiasmado, informou o professor da Universidade de Évora, mas este não lhe deu crédito: “Achou que as pinturas não eram reais”.

Pedro Ferreira recusou cruzar os braços e contactou com técnicos do Instituto Português de Arqueologia (IPA), um organismo agora integrado no Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar). Os arqueólogos confirmaram a autenticidade das pinturas (com 2500 a 4500 anos), fizeram uma incursão ao lado oposto do vale e descobriram mais vestígios de ocupação Pré-histórica.

Uma máquina retroescavadora tinha estado a movimentar terras, deixando a descoberto um osso humano, de criança, com indícios de ritual funerário. Logo que teve o primeiro contacto com o achado, o arqueólogo João Zilhão percebeu de imediato que estava perante uma das mais importantes descobertas paleontológicas. Em duas semanas, mobilizou a sua equipa e accionou uma escavação de emergência. Pedro Ferreira foi convidado a participar nos trabalhos de registo e levantamento. E nunca mais se desligou do processo.

Acabou o curso, ingressou na Câmara Municipal de Leiria como Técnico Superior de Património, e foi o responsável pelo projecto museológico do Centro de Interpretação do Abrigo do Lagar Velho.

Alcançado o desejo de dar a conhecer ao público a importância arqueológica do Vale do Lapedo, Pedro Ferreira, agora com 33 anos, acalenta outro sonho: “Ver o local classificado como monumento nacional”.

in Correio da Manhã - ler a notícia completa aqui



Centro de Interpretação do Lapedo abre dia 5 de Janeiro

O Centro de Interpretação Abrigo do Lagar Velho – Lapedo, localizado na freguesia de Santa Eufémia, vai ser inaugurado no dia 5 de Janeiro de 2008. O respectivo programa foi apresentado na reunião de Câmara de 11 de Dezembro pelo Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Leiria, Vítor Lourenço.
O programa tem início pelas 10H30, com uma visita guiada ao Vale do Lapedo, seguida da cerimónia formal de inauguração do Centro de Interpretação Abrigo do Lagar Velho, pelas 12H00. Às 15H00, decorrerá uma sessão de conferências, aberta ao público no auditório 01 da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria (ESTG/IPL), com a presença dos investigadores Erik Trinkaus, antropólogo da Universidade de Washington (Saint Louis – EUA), Brian Pierson, antropólogo da Universidade de Tulane (New Orleans – EUA), João Zilhão, arqueólogo em exercício na Universidade de Bristol (Reino Unido), Francisco Almeida, arqueólogo do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) para além de Paulo Bártolo, em representação da ESTG/IPL.
Erik Trinkaus é considerado por muitos como sendo o maior estudioso mundial da área da biologia e evolução Neandertal e ainda especializado em paleontologia humana, arqueologia paleolítica, anatomia funcional e biologia do esqueleto.
Brian Pierson, para além da sua actividade académica, é especialista em reconstituições faciais forenses, tendo estado ainda ligado à criação de efeitos especiais de filmes como “Titanic”, “Alien - o regresso” ou “Star Trek: insurreição”. Participou na reconstituição da cabeça do menino do Lapedo.
João Zilhão é doutorado em arqueologia pré-histórica pela Universidade de Lisboa. Em Janeiro de 1996 foi designado responsável pelo projecto de criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa. Actualmente é professor na Universidade de Bristol.
O arqueólogo do IGESPAR, Francisco Almeida, tem participado como comissário científico na criação do Centro de Interpretação Abrigo do Lagar Velho.

Centro de Interpretação Abrigo do Lagar Velho
O projecto museológico do Abrigo do Lagar Velho tem como objectivo, através de uma exposição organizada em dois módulos, dar a conhecer ao público os resultados dos trabalhos arqueológicos realizados neste sítio arqueológico e a sua contextualização nas últimas alterações da evolução anatómica do homem.
O espaço intervencionado é composto por módulos pré-fabricados, amovíveis, instalados num terreno cedido ao Município de Leiria por um particular: Adriano de Faria Gaio. Por se tratar de uma área junto ao topo da vertente com um desnível de cota de cerca de 80 metros, está prevista uma zona de observação, que permitirá um bom enquadramento visual sobre o Vale.
O projecto museológico engloba a criação de dois espaços de interpretação distintos, um em cada módulo. O Módulo 1 contempla a recepção e o espaço expositivo dedicado à vida no Paleolítico Superior.
A visita inicia-se com um texto de apresentação do projecto, seguindo-se um espaço para a interpretação cronológica dos vestígios afectos ao conteúdo da exposição e algumas imagens de aspectos naturais do Vale do Lapedo. Neste módulo, o visitante poderá observar e compreender alguns aspectos da vida do abrigo durante as várias fases da pré-história já detectadas (30 mil a 20 mil anos antes do presente).
O conteúdo do Módulo 2 é dedicado ao espaço fúnebre da criança, focando a sepultura e morfologia do “Menino do Lapedo” e centrando-se na explicação do ritual fúnebre, bem como das características morfológicas do esqueleto que impulsionaram decisivamente a tese da miscigenação entre o homem de Neandertal e o homem anatomicamente moderno.
Estará ainda presente uma réplica à escala real do esqueleto e da sepultura do Menino do Lapedo, encerrando-se o circuito com a projecção de um vídeo acerca do sítio.
A organização deste evento é da responsabilidade da Câmara Municipal de Leiria e conta com o apoio do IGESPAR, ESTG/IPL, da Região de Turismo de Leiria Fátima e Junta de Freguesia de Santa Eufémia.

in página oficial da C. M. Leiria - ler texto

Carsoscópio - relato de uma visita

Do Blog Geopedrados publicamos o seguinte post:


No passado dia 28.12.2007 (6ª-feira) fui com o meu filho até ao Carsoscópio - Centro Ciência Viva do Alviela. Diversas pessoas tinham-me perguntado se valia a pena a visita e nada como ver in situ para confirmar expectativas. O meu filho adorou e eu também, mas há que fazer algumas ressalvas, críticas e comentários...

1. Edifício
Já meu conhecido de longa data, tem o Centro Ciência Viva, a recepção do Parque de Campismo e Centro de Alojamento e outras instalações. É excelente...

2. Geódromo
Quando me sentei em uma das 16 cadeiras (é pena que não sejam 25, o que facilitaria as visitas escolares...) demorou cerca de 20 minutos até as meninas conseguirem pôr a máquina a funcionar, talvez por não perceberem bem o software do programa. A plataforma onde estão as cadeiras é basculante (bastante basculante, ao ponto de eu finalmente perceber o que o Presidente da República tinha dito sobre este local...) e o filme é engraçado e bem feito, com boa revisão científica. Os putos adoram...


3. Climatógrafo
Não funcionou na minha visita, o que diz tudo. É uma pena que inaugurem uma estrutura destas e depois ou o material (software/hardware?) não trabalhe. Neste local deveria ter visto um filme 3D sobre os 180 km² da bacia de alimentação do Alviela que permite contemplar a passagem das estações do ano e as diferenças que estas imprimem no curso da água. No final pudemos ver um excelente modelo da circulação das águas no carso local (o meu filho comandou a máquina) com uma boa explicação do que são sumidouros, grutas, exsurgências, ressurgências e endocarso. Excelente, quando tudo funcionar...




4. Quiroptário
Este espaço funcionou em pleno. As crianças adoram entrar com capacete de espeleólogo e frontal aceso (o meu filho já está bastante habituado...). Os primeiros painéis são vistos na penumbra, as explicações são boas, os modelos engraçados e bem concebidos e há uma série de materiais experimentáveis (orelhas de morcego, ecolocalizador para fazer percurso sem recurso à visão, cálculo da quantidade alimentos que teríamos de ingerir diariamente se fossemos morcegos, etc.). Espaço muito agradável - muito bom...




Resumindo, quando tudo funcionar será um local excelente para visitas de estudo, complementadas com outras actividades no local (praia fluvial, desportos de natureza, percurso pedestre, entre outros, e mesmo do Algar do Pena, a poucos quilómetros). Esperemos é que tudo funcione, sempre e bem...


NOTA - Links para os posts anteriores sobre este assunto:

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Embora hoje seja terça-feira...


...nada melhor do que começar o ano novo (antes que o estraguemos e passe a ano velho...) com Poesia:

PERENIDADE

Se eu não fosse poeta,
O dia de hoje seria apenas
Segunda feira.
Igual a tantos outros,
De trabalho, de pressa e de canseira
E apagado nas horas.
Assim foi singular.
Ocioso,
Moroso
E repousado,
E teve
A duração num verso demorado.
Dez sílabas que agora
O amanhecem
E anoitecem
No meu ouvido,
Depois de acontecido.

in Diário XV, Miguel Torga, 06-01-1989

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Para entrar no Ano Novo como deve ser


ESPERANÇA


O poema quer nascer das trevas.
Está nas palavras, e não as sei.
É como um filho que não tem caminho
No ventre da mãe.
Dói,
Dói,
Mas a negar-me teimosamente
A todos os acenos libertadores
Do desespero dilacerado.
No silêncio cansado
E paciente
Canta um galo vidente.
E diz que cada dia
Que anuncia
É sempre um dia novo
De renovo
E poesia.

Coimbra, 31 de Dezembro de 1989


in Poesia Completa II - Miguel Torga

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Boas Festas...

...são os votos da equipa deste Blog, que através deste pequeno filme, quer mandar a todos os nossos leitores, colaboradores e amigos...!


quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

35 anos depois - última missão tripulada à Lua - IV

Faz hoje 35 anos que terminou a aventura espacial (na sua forma mais pura e dura) com o regresso à Terra da Apollo XVII e sua tripulação. Ficou a obra: 6 alunagens, dezenas de quilos de rochas lunares e a confirmação de que quando um homem quer a obra nasce. Recordemos agora os heróis da Apollo XVII e de um dos responsáveis pela aventura espacial através de textos da Wikipédia:

Harrison "Jack" Schmitt (Santa Rita, Novo México, EUA3 de Julho de 1935) é geólogo, Astronauta, ex-Senador dos Estados Unidos e foi o 12º e último homem a pisar na superfície da Lua, como membro da missão Apollo 17, a última a pousar no satélite em Dezembro de 1972.

Antes de se juntar à NASA, como membro de primeira equipe de astronautas-cientistas da agência espacial em 1965, “Jack” Schmitt trabalhou no Centro de Astrogeologia dos Estados Unidos, onde realizou diversas experiências e desenvolveu técnicas de geologia de campo que viriam a ser utilizadas pelas tripulações das missões Apollo. Após sua admissão, Schmitt exerceu um papel chave no treinamento dos astronautas da Apollo para ajudá-los a ser bons observadores geológicos quando estivessem na órbita lunar e competentes geólogos de campo na superfície do satélite. Após o fim de cada missão, ele participava dos exames e avaliações do material recolhido e ajudava as equipes nos aspectos científicos de suas missões.

Como ele era o único geólogo profissional no grupo de astronautas, e havia-se graduado na pilotagem dos módulos de comando e lunar, não foi surpresa quando foi escolhido para se tornar tripulante da última das missões lunares, a Apollo 17, onde exerceu um trabalho fundamental no exame e recolha de materiais rochosos da região lunar de Taurus-Littrow, em companhia do comandante da missão, Eugene Cernan. Na volta para a Terra, Schmitt tirou uma das mais famosas e divulgadas fotografias da terra vista do espaço, A Bola Azul, mostrando integralmente todo o planeta azul e esférico brilhando no espaço.

Em Agosto de 1975, Harrison Schmitt deixou a NASA para concorrer ao Senado americano pelo Partido Republicano e foi eleito Senador pelo estado do Novo México, seu estado natal. Derrotado nas eleições para um segundo mandato, passou a trabalhar como consultor em Geologia, Espaço e políticas públicas.

Ainda hoje ele continua advogando o retorno a Lua, para que se possa utilizar o satélite como fonte de Hélio-3, um tipo de isótopo radioativo de hélio abundante na Lua, combustível fundamental para o desenvolvimento de reatores nucleares a serem usados como propulsores de motores de naves espaciais, capaz de atingir velocidades muito maiores que as actuais, possibilitando a exploração espacial dos satélites e planetas mais distantes do nosso sistema solar.


Eugene Andrew Cernan (Chicago, 14 de Março de 1934) é um ex-astronauta norte-americano, filho de mãe checa e pai eslovaco, que esteve no espaço por três vezes, na última delas como comandante da Apollo 17, a última das missões Apollo a pousar na Lua.

Cernan foi o 11º astronauta a pisar em solo lunar e seu co-piloto Harrison Schmitt o 12º e último, de todos os astronautas que exploraram o satélite, já que, como comandante, ele era o primeiro a descer da nave. Entretanto, Cernan exibe até hoje o título – que inclusive é o nome do livro com as memórias de suas viagens espaciais – de “O Último Homem na Lua” - já que, também por ser o comandante, foi o último a re-entrar no Módulo Lunar para a viagem de volta, sendo suas as últimas pegadas feitas na superfície da Lua trinta e cinco anos atrás.

Astronauta dos programas Gemini e Apollo, Eugene Cernan viajou para a Lua em duas ocasiões diferentes, a primeira apenas sobrevoando o satélite na Apollo 10 e a segunda comandando a Apollo 17 e pousando na região de Taurus-Littrow. Nesta missão, ele e Harrison Schmitt, seu parceiro de viagem, passaram três períodos em actividades extra-veiculares na superfície, cobrindo um total de 22 horas fora do Módulo Lunar Falcon, em comparação com as duas horas dos pioneiros Neil Armstrong e Edwin Aldrin três anos antes. Também quebraram os recordes de quantidade de material geológico trazido de volta e dirigiram mais de 35 km o jipe lunar pela superfície de Taurus- Littrow.

Quando Eugene Cernan se preparava para subir a escada do módulo Falcon de volta para a Terra, ele disse as palavras que se tornaram as últimas de um ser humano na face da Lua: “No momento em que deixamos a Lua e Taurus-Littrow, partimos como chegámos, e se for a vontade de Deus voltaremos com paz e esperança para toda a Humanidade. Quando dou estes últimos passos para fora da superfície lunar, gostaria de lembrar que o desafio da América de hoje, forjou o destino do homem do amanhã. Deus abençoe a tripulação da Apollo 17”.


Ronald Ellwin Evans Jr. (St. Francis, 10 de Novembro de 1933Scottsdale, 7 de Abril de 1990) foi um astronauta dos Estados Unidos e tripulante da missão Apollo 17, a última a pousar na Lua, em Dezembro de 1972.

"Ron" Evans fez seus estudos secundários e universitários em instituições de seu estado natal do Kansas e em 1957 completou seu o treino posterior como piloto naval de combate. Foi nesta função, enquanto servia a bordo do porta-aviões USS Ticonderoga durante a Guerra do Vietnam, que ele recebeu a notícia de sua selecção para o treino de astronauta da NASA, no qual havia se inscrito.

Evans entrou para a NASA no grupo de dezanove astronautas seleccionados em Abril de 1966 e após o período de treino serviu como membro das equipes de apoio das missões Apollo 7 e Apollo 11 e comandante reserva da Apollo 14.

Seu vôo no espaço deu-se como piloto do Módulo de Comando Americano da missão Apollo 17, a última missão lunar, junto com os astronautas Eugene Cernan, comandante da missão e Harrison Schmitt, piloto do Módulo Lunar Falcon. Enquanto os dois últimos desciam na Lua, ele permaneceu em órbita realizando observações geológicas da superfície, tirando fotografias de alvos específicos no satélite. Na viagem da volta para a Terra, ‘Ron’ realizou actividades no espaço durante uma hora e seis minutos, saindo da Apollo para recolher câmeras e cassetes e fazer uma inspecção visual da área de carga da nave.

Após servir como piloto reserva da missão americano-soviética Apollo-Soyuz, que realizou o encontro em órbita entre naves espaciais dos dois países, em 1975, e de participar do programa de desenvolvimento do vai-vem espacial, Ronald Evans retirou-se da NASA em Março de 1977 e tornou-se um executivo da indústria de carvão.

Condecorado várias vezes pela NASA e pela Marinha dos Estados Unidos, ele morreu de ataque cardíaco em Abril de 1990 na cidade de Scottsdale, estado do Arizona, deixando mulher e dois filhos.


John Fitzgerald Kennedy (Brookline, Massachusetts, 29 de Maio de 1917Dallas, 22 de Novembro, 1963) foi um político americano e o 35° presidente de seu país (19611963).

Sua família era de ascendência irlandesa e tradicionalmente católica. Kennedy era filho de Joseph P. Kennedy, embaixador dos Estados Unidos no Reino Unido no fim dos anos 30. Formou-se em Relações Internacionais na Universidade de Harvard em 1940. Serviu na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial, sendo ferido em Guadalcanal em 1943. Condecorado por bravura, afastou-se do serviço militar por problemas na coluna vertebral. Ainda quando jovem, participou do Movimento Escuteiro.

Desafio da conquista da Lua

Kennedy foi o presidente dos Estados Unidos que lançou o desafio de chegar a Lua em uma década, que resultou no Projeto Apollo. No famoso discurso em 1961 Kennedy lançou o desafio de "enviar homens a Lua e trazê-los de volta a salvo".

"I believe this nation should commit itself to archieving the goal, before this decade is out, of landing the man on the moon and returning safely to Earth."
"Eu acredito que a nação deva se comprometer para alcançar o objetivo, antes do fim da década, de aterrissar o homem na lua e fazê-lo voltar em segurança para a Terra."

Em outro discurso na Universidade Rice suas palavras foram: We choose to go to the moon. We choose to go to the moon in this decade and do the other things, not because they are easy, but because they are hard ("Nós decidimos ir a Lua. Nós decidimos ir a Lua nesta década e fazer as outras coisas, não porque elas são fáceis, mas porque elas são difíceis").



Post conjunto dos Blog AstroLeiria, Geopedrados, GeoLeiria e Ciências Correia Mateus, entre outros.